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palavra parelha: um belo quarentão

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Anibal Beça


Roland Barthes, no seu hoje clássico Le plaisir du texte, à certa altura escreve mais ou menos o seguinte a respeito dos nossos dilemas no concernente à fruição: somos depositários de uma tradição que tende a repudiar o hedonismo, e exceto por algumas vozes marginais, o prazer resta normalmente subvalorizado, reduzido, ou “desinflado” como refere Barthes. Em contrapartida nossos esforços intelectuais e emocionais são aplicados “em proveito de valores fortes, nobres: a Verdade, a Morte, o Progresso, a Alegria...”. Ainda segundo o teórico francês, o mais próximo que conseguimos chegar do prazer — e disfarçando vestígios de culpa —, é sempre através de um disfêmico elogio ao Desejo. O “Desejo teria uma dignidade epistêmica”. Por essas e outras, Palavra parelha (Edições Galo Branco, 2008) de Anibal Beça, volume de poemas que reúne cinco livros novos produzidos dentro de um arco de quarenta anos, revela-se um objeto verbal sob medida para dar materialidade a esta divisa de Bart…